quarta-feira, 7 de agosto de 2013

SOBREVIVENTE REVELA COMO ESCAPOU DA OPERAÇAO CONDOR

 Aníbal Abbatte Soley faleceu em 2012
Em uma  operação relâmpago realizada no mês de dezembro de 1974, a repressão da ditadura civil-militar sequestrou  Aníbal Abbatte Soley, Rodolfo Mongelos, Cesar Cabral e Alejandro Stumpfs.

Foi uma manobra militar de grande envergadura, muitos recursos humanos e materiais.
Em pouco tempo os quatro cidadãos foram sequestrados em vários pontos da cidade e no mesmo momento. Tudo aconteceu em trinta minutos, numa operação executada pelo Centro de Informações do Exército envolvendo cerca de 20 homens forte mente armados e seis veículos de modelos diferentes.

Os quatro eram opositores da ditadura do general Stroessner no Paraguai e estavam exilados no Brasil. Foram capturados por comandos do Exercito Brasileiro e estavam sendo levados para o país vizinho quando ordem superior determina que fossem enviados para um  local clandestino que a ditadura mantinha no Estado de Goiás.   Ali foram interrogados por oficiais dos exércitos do Brasil e do Paraguai.
O relatório anexo é de autoria de um dos sobreviventes, Rodolfo Mongelos Leguizamon.
fonte: ABAP - Associação Brasileira de Anistia Política (http://anistiapolitica.org.br/abap/)

Municipio de Araruama homenageia guerrilheira Maria Alice com seu nome em Travessia

Maria Alice uma heroica guerrilheira 
Em Araruama, movimentos progressistas detectaram o valor da mulher Maria Alice. A morte dessa querida camarada, em 25 de maio de 2012, é uma dor que irá doer por muito tempo, até virar uma doce e sublime saudade. 

Após a morte de Maria Alice, na cidade de Araruama, onde viveu seus últimos anos, surgiu um Movimento em Defesa da Memória de Maria Alice. A ideia inicial foi homenageá-la dando seu nome a um logradouro público da cidade. Outras atividades viriam a seguir, justificando assim um Memorial, cuja finalidade será identificar, coletar, tratar, preservar e disponibilizar para o público em geral a documentação e registros gerados sobre sua heroica vida.




A razão desse pleito foi a gloriosa vida de Maria Alice. Ao lado de seu companheiro Sebastião Braz enfrentou corajosamente as forças golpistas que derrubaram o governo constitucional de João Goulart, em 31 de março de 1964. Muitos revolucionários de então receberam apoio e guarida em seu modesto lar. Maria Alice abriu as portas de sua casa carinhosamente,corajosamente e conscientemente para acolher os líderes guerrilheiros Stuart

Angel e Carlos Lamarca. Ela integrou o Comitê Brasileiro pela Anistia. Fez muitos “panelões” de comida para os presos políticos do Presídio Frei Caneca. Foi uma das fundadoras do Grupo Tortura Nunca Mais, onde se destacou na dura tarefa de buscar os restos mortais dos desaparecidos políticos da ditadura militar. E acima de tudo lutou durante toda vida por uma sociedade justa, fraterna e igualitária. 


O poder público de Araruama foi sensível aos reclamos da comunidade. No começo, André Mônica, ainda prefeito da cidade, apoiou o movimento. A seguir,Miguel Jeovani, atual Prefeito de Araruama, sancionou o projeto de Lei, de autoria do Vereador Marcelo Amaral, que muda o nome da Travessa Ipsilon, no bairro da Pontinha, para Travessa Maria Alice de Lima Braz, logradouro onde a patriota e revolucionária Maria Alice morou. Esta foi uma grande vitória dos movimentos progressistas da cidade.

Em 27 de julho, em frente à casa onde morou Maria Alice, às 15 horas, aconteceu as festividades de inauguração da placa Travessa Maria Alice de Lima Braz. 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Rio "Calombé" do Pilar está agonizando de produtos químicos das fábricas

Rio Calombé é vítima das fábricas que dejetam produtos químicos
         O Rio Calombé já foi palco de duas ações da Coordenadoria Integrada de Combate aos CrimesAmbientais, da SEA (Cicca), com a presença do secretário Carlos Minc. Durante as operações, batizadas de Calombé, técnicos do Inea realizaram coletas dos resíduos líquidos lançados nos corpos hídricos do bairro, para posterior análise do grau de contaminação.


Na época, o rio chegou a pegar fogo, após um morador queimar o lixo doméstico em sua margem, devido à grande quantidade de óleo presente em suas águas. Durante a operação de outubro, seis empresas foram notificadas e multadas – sendo uma delas interditada pela Cicca.

Apesar das operações, continuaram a chegar denúncias de novos pontos de poluição do rio, que motivaram a vistoria dos fiscais do Inea e a ação de hoje, promovida pelo Inea e da DPMA. Moradores do local cobram das autoridades municipais providências contra as empresas que insistem em continuar a poluir o rio com o despejo de produtos químicos que prejudicam a saúde da população e bairros adjacentes.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Atenção!



Aviso de reunião 

    Às 09 da manhã

Dia 22 de setembro de 2012


Reunião na Associação Nacional  dos Anistiados Políticos Aposentados e Pensionistas
Endereço: Avenida Duque de Caxias – nº 08/sala 5 – Centro – Duque de Caxias/RJ

Documento do Centro de Inteligência da Aeronáutica informa fim de desaparecido


Lista do Arquivo Nacional: ‘Nome: Mário Alves; situação atual: morto’

Um pesadelo frequente da dona de casa Lúcia Caldas Vieira, de 64 anos, é com uma imensa fogueira. Ano após ano, desde o dia 16 de janeiro de 1970, a cena é a mesma em sua mente: ela tenta salvar das chamas os documentos, fotos e desenhos que foi obrigada a queimar no dia em que o pai desapareceu. Lúcia é filha do desaparecido político Mário Alves, jornalista e secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Apesar de quatro testemunhas terem presenciado a tortura de Mário no DOI-Codi do Rio, dessa data até hoje, 42 anos depois, o Exército nunca assumiu a prisão do militante.
Mário Alves 
Em uma lista produzida pelo Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (Cisa) em 19 de janeiro de 1971 está a primeira informação oficial da ditadura militar brasileira sobre o jornalista desde o seu desaparecimento. O documento, localizado pelo GLOBO no Arquivo Nacional, é uma listagem com nomes de militantes, seus codinomes e suas organizações. Na página 143 estão as informações sobre o militante do PCBR desaparecido um ano antes: na primeira coluna, o codinome pelo qual era conhecido: “Vila”, na última, seu nome completo: Mário Alves de Souza Vieira; no meio, o campo “situação atual” indica: morto.
— Esse documento é mais um dado que mostra que eles não tinham nenhum pudor de fazer uma lista com os nomes dos mortos. Se até hoje eles negam a prisão, como é que o dão como morto? — desabafou a filha.
Lista foi distribuída para outros órgãos.
O documento é hoje parte do acervo do Arquivo Nacional colocado para consulta pública. A listagem serviu como fonte de informação para o Serviço Nacional de Informações (SNI), o Centro de Informações do Exército (CEI) e o Centro de Informações da Marinha (Cenimar), e, conforme descrição, tem como assunto “militantes, aliados e simpatizantes das organizações subversivas”.
Mário Alves com sua esposa e filha
Mário Alves era baiano e tinha 47 anos quando saiu da casa onde vivia com a mulher, Dilma Borges, na Abolição, subúrbio do Rio. Ele estava acostumado tanto a ser perseguido quanto à vida clandestina desde 1942, quando entrou para o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Preso meses depois do golpe de 1964, foi libertado um ano depois, mas teve que voltar à clandestinidade porque foi condenado à revelia a mais sete anos de prisão. Em 1968, ajudou a fundar o PCBR para seguir o caminho da luta armada.
Em 1970, ao ser novamente preso, Mário foi levado para o DOI-Codi na Rua Barão de Mesquita e torturado durante a noite do dia 16 e a madrugada do dia seguinte. Os presos Raimundo José Barros Teixeira Mendes, José Carlos Brandão Monteiro, Manoel João da Silva e Antônio Carlos de Carvalho ouviram o sofrimento do militante do PCBR ao longo do interrogatório.
No livro “Desaparecidos políticos”, Mendes revelou que presenciou por meio de uma abertura no alto da parede da cela a violência na sala ao lado: “Depois de violentamente espancado... torturado com choques elétricos, no pau de arara, afogamentos, Mário Alves manteve a posição de nada responder... então introduziram um cassetete de madeira com estrias, que provocou a perfuração de seus intestinos e a hemorragia que determinou a sua morte.”
Dilma, mulher de Alves, e o advogado Modesto da Silveira fizeram inúmeros esforços para localizar o militante. Foram enviados pedidos de habeas corpus para todas as Forças na tentativa de descobrir o paradeiro do guerrilheiro, mas nenhum órgão da repressão assumiu a prisão. Devido à busca, Dilma também chegou a ser interrogada.
— Eu e minha mãe ficamos meses separadas. Ela tinha medo de que nos pegassem, e alguém precisava ficar para contar a história — lembrou Lúcia.
As notícias só vieram depois, quando as testemunhas deixaram a prisão e contaram o que presenciaram. Eles apontam entre os torturadores de Mário: o tenente-paraquedista Magalhães, os tenentes Armando Avólio e Luiz Mário Correia Lima e o agente civil Luis Timotéo de Lima. O último também é citado por um estudo da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência como um dos agentes que trabalharam na Casa da Morte em Petrópolis.
Em 1979, Dilma e Lúcia entraram na Justiça contra a União, exigindo a responsabilidade pela prisão, morte e ocultação de cadáver do jornalista com base nos testemunhos. A sentença, favorável à família em 1981, fez de Mário Alves o primeiro caso de desaparecido político em que a União foi responsabilizada.
— Nunca vi o nome dele em nenhum relatório. Esse documento me leva a acreditar que, ao contrário do que dizem as Forças Armadas, há, sim, documentos, e espero que a Comissão da Verdade possa auxiliar nisso — afirmou Ana Maria Müller, advogada do caso.

Fonte: O Globo





segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Para cientista, alguns militares temem fim da Anistia


Alguns setores militares estão convencidos de que o verdadeiro objetivo da Comissão Nacional da Verdade é provocar a revisão da Lei da Anistia de 1979, abrindo caminho para o julgamento de agentes de Estado envolvidos em casos de violações de direitos humanos no período do regime autoritário. A constatação é do cientista político Eliézer Rizzo de Oliveira, especialista em assuntos militares e ex-diretor do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp.
Ontem, ao participar de uma mesa-redonda sobre Comissão da Verdade, no 6.º Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos da Defesa, em São Paulo, Oliveira observou que a inquietação dos militares aumenta. "Em algum sentido eles têm razão", disse. "Há sinais que jogam luz nesse receio, como os processos movidos contra militares pelo Ministério Público Federal e a existência de uma tensão no interior do governo."
Segundo o analista, no governo da presidente Dilma Rousseff existem setores empenhados na defesa da revisão dos termos da anistia. "No governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva esse movimento era feito pelos ministros Tarso Genro, da Justiça, e Paulo Vannuchi, de Direitos Humanos", afirmou. "O Tarso foi substituído pelo Cardozo (ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça), que não fala sobre isso, mas tem o ministério plenamente envolvido com a questão."
Oliveira mencionou particularmente o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão: "Ele disse em palestra em São Paulo que a Comissão da Verdade não veio para botar uma pedra em cima da história e que, muito ao contrário, ela poderá gerar novos efeitos."
Também participaram da mesa José Gregori, que foi ministro de Direitos Humanos no governo de Fernando Henrique Cardoso, e Roberto Romano, professor de ética da Unicamp. Um terceiro convidado, José Genoino, assessor do ministro da Defesa, Celso Amorim, não compareceu. Ex-presidente do PT, ele é um dos principais acusados no processo batizado de "mensalão", que está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal (STF).
                                                                    
Fonte - O Estado de S.Paulo.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

  
No Araguaia foram achadas mais  quatro ossadas


Restos mortais podem ser de desaparecidos políticos


O Grupo de Trabalho do Araguaia (GTA) localizou quatro novas ossadas na região da Guerrilha do Araguaia em sua última expedição, em meados deste mês. Os restos mortais foram levados para a Universidade de Brasília (UnB). Agora, chega a 23 o número de ossadas de supostos opositores da ditadura guardadas na universidade.
Ontem, a Comissão da Verdade criticou a lentidão na identificação dessas ossadas e cobrou explicações do governo. A Polícia Federal criou o Núcleo de Pesquisa em Identificação Humana para Mortos e Desaparecidos Políticos, vinculado ao Instituto Nacional de Criminalística, justamente para cuidar desses casos.
- Há um núcleo da PF só para isso e temos que saber por que não está ágil, não está pegando. Queremos saber da Polícia Federal em que pé estão essas investigações, quantas são, por que está lento o trabalho, e se precisam de ajuda - disse o ex-procurador Cláudio Fonteles, integrante da Comissão da Verdade.
Na semana passada, a comissão pediu ao Ministério da Justiça informações sobre o andamento desse trabalho, que inclui também a identificação de restos mortais exumados dos cemitérios de Perus e Vila Formosa, em São Paulo, onde foram enterrados presos políticos mortos pela repressão.
A comissão também pediu informações ao Ministério da Defesa sobre documentos do período da ditadura que foram destruídos. Põe em dúvida a informação que o Ministério da Defesa deu em 2010 à Casa Civil da Presidência de que documentos com graus de ultrassecreto, secreto, confidencial e reservado foram destruídos com base em leis anteriores. Para a comissão, a destruição desses documentos exigia a lavratura do Termo de Destruição, o que não aconteceu.
A Comissão da Verdade fez ontem sua primeira audiência pública. Foram ouvidos dezenas de perseguidos políticos, familiares e militantes de direitos humanos. Eles levaram documentos e pediram investigações sobre casos específicos.

Fonte - O Globo